O concelho da Calheta é o mais extenso da Madeira, com uma área de cerca de 116km2, situa-se no extremo oeste da ilha da Madeira e tem uma população de cerca de 12 mil pessoas.


Pensa-se que a origem do seu nome “Calheta” provenha da pequena baía ou enseada que lhe serve de porto e que assistiu a João Gonçalves Zarco quando este pretendia ir para terra.

Este Concelho foi talvez o que maior número de emigrantes enviou para quase todos os recantos do mundo.

O feriado Municipal comemora-se a 24 de Junho, dia de São João, de acordo com a deliberação da Assembleia Municipal.
É neste período que se realizam as festas do concelho e durante uma semana são dinamizadas atividades diversas, desde exposições a concertos e iniciativas de índole desportivo.
É na Calheta que se situa o Centro das Artes “Casa das Mudas”, um projeto concebido em completa harmonia com a paisagem envolvente, que apresenta uma vasta oferta cultural. Aqui realizam -se exposições de natureza diversa, peças de teatro, espetáculos musicais, conferências e muitos outros eventos.

O município da Calheta é constituído por oito freguesias: Arco da Calheta, Calheta, Estreito da Calheta, Fajã da Ovelha, Jardim do Mar, Paul do Mar, Ponta do Pargo e Prazeres.

Freguesia do Arco da Calheta

A sua denominação advém da especial configuração semi-circular dos seus montes, e da sua proximidade relativamente à freguesia da Calheta. Esta freguesia foi um dos mais antigos locais da Ilha sujeitos à colonização e exploração agrícola após o descobrimento e é uma das freguesias mais ricas em preciosidades patrimoniais e artísticas.
Aqui se fixou João Fernandes Andrade, conhecido por João Fernandes do Arco. Possuiu vastas terras de pão, engenho e escravos, e instituiu uma casa vincular, com capela e capelão privativo, nos finais do séc. XV.
O Arco da Calheta é principalmente irrigado por um ramal da importante levada do Rabaçal e pela levada chamada da Madre Grande, que tem a sua origem no Paul da Serra. Tem como limites confinantes as freguesias da Madalena do Mar, Canhas e Calheta.


Freguesia da Calheta

Data de 1430 a criação desta freguesia. É muito de presumir que a origem do nome desta freguesia provenha da pequena baía ou enseada, que lhe serve de porto, pois é esse o verdadeiro significado da palavra calheta.
Zona escolhida por João Gonçalves Zarco para nela doar vastos terrenos a seus filhos João Gonçalves da Câmara e D. Beatriz. É das mais antigas da Ilha e uma das primeiras que começaram a ser exploradas pelos primitivos colonizadores. Berço adotivo de nobres fidalgos e cavaleiros, seus nomes perpetuam-se na toponímia dos vários lombos que constituem esta freguesia: Lombo do Doutor, Lombo do Atouguia.


Freguesia do Estreito da Calheta

Nasceu no séc. XIV.

A primitiva povoação teve a sua origem numa fazenda concedida ao fidalgo, natural da Polónia, André Gonçalves de Franças. Foi seu filho, João de França, que fez construir a capela de Nossa Senhora da Graça, em que depois se criou e instalou a nova paróquia, sendo também a sede do morgadio que fundou em 1503. Um outro sesmeiro, juiz dos órfãos e escudeiro fidalgo, Francisco Homem de Gouveia, aqui se fixou no séc. XVI e fundou o morgadio e capela do Reis Magos.

A denominação de Estreito (desfiladeiro, vale ou profundidade), possivelmente teve origem num pequeno sítio, com maior ou menor propriedade de aplicação do termo, embora no seu conjunto, as condições orográficas não justifiquem tal denominação.

Zona de enorme beleza natural “As casinhas lá em cima, bem na crista da montanha, os campos a seus pés, rendidos ao trabalho persistente do homem… o cheiro a terra fresca, a horta e a fartura… É este o Estreito da Calheta, autêntico, verdadeiro, solarengo. À espera de um visitante sensível que saiba apreciar.


Freguesia da Fajá da Ovelha

A denominação derivará, talvez, do assentamento de terras anteriormente desmoronadas e que funestamente colheram uma ovelha. A ocorrência que permaneceu na memória das populações, ligou-se ao local, e dali se alastrou a toda a freguesia.
Esta Freguesia foi criada em meados do século XVI e instalada a sua sede na Capela de São Lourenço, com características manuelinas. Um dos primeiros colonizadores (séc. XV) foi Gonçalo Ferreira de Carvalho que ali possuiu terras.
Esta Freguesia não deixa de merecer o interesse do forasteiro curioso, na ânsia satisfeita de reviver o tipicismo e as marcas do passado, aqui mantido pela quietude do presente.


Freguesia do Jardim do mar

Começou o Jardim do Mar por ser um curato dependente dos Prazeres ou do Paul, parecendo que primeiramente foi curato filial dos Prazeres e depois do Paul do Mar, datando a sua criação do segundo quartel do século XVIII. É uma fajã de formação desconhecida e provavelmente anterior à descoberta da Ilha. A beleza do local, outrora manto de flores silvestres, estará na origem do nome e reflete-se em outros topónimos como o Sítio das Roseiras.

À beira-mar, onde outrora existiu uma Fonte, as ruínas do antigo engenho deste morgadio, com azulejos que serviram de revestimento aos tanques, são prova da riqueza açúcareira da freguesia. Marcas simbólicas do passado são também algumas chaminés prismáticas e o casario que rodeia a Igreja N. S. do Rosário.

Emoldurada pelo mar e constrangida pela rocha (onde parece terminar abruptamente), a freguesia preserva o sossego e a quietude seculares, espalhados no tipicismo das suas ruelas estreitas e no casario baixo, no geral de traça antiga, onde as chaminés ganham dimensão decorativa digna de nota pela variedade das suas formas.
Esta freguesia tem por limite as freguesias do Paul do Mar, Prazeres e Estreito da Calheta.


Freguesia do Paul do Mar

A designação adveio-lhe da orografia do lugar. Segundo o deão Gonçalves Andrade, a localidade “forma como um vale debaixo de altas rochas, junto ao mar, donde lhe vem o nome.”
Um dos mais antigos povoadores, o sesmeiro João Anes do Couto aqui possuiu terras de sesmaria. Fundou a Capela de Santo Amaro, antiga sede paroquial.
O mar ofereceu a esta freguesia um rico manancial. A abundância em peixe, sobretudo o migratório, fez aparecer nesta freguesia, em 1912, a indústria da conserva de atum para exportação. Ainda hoje testemunha o facto a chaminé da antiga fábrica.


Freguesia da Ponta do Pargo

Não se conhece o ano preciso da sua criação, mas deve ser anterior a 1560. Situada no extremo Sudoeste da Ilha, o nome é elucidativo do acontecimento: quando os descobridores andavam a desvendar a costa, no batel de Severo Afonso, chegados a esta paragem, pescaram um peixe de maravilhosa grandeza, semelhante, ao pargo. Razão porque chamaram a esta Ponta – a do Pargo.
Muitos dos terrenos desta zona pertenceram a Garcia da Câmara e a Afonso Henriques, Senhor de Alcáçovas (séc.XVI)
A costa marítima da Ponta do Pargo era extremamente perigosa para a navegação, razão pela qual foi construído um Farol, no alto do rochedo (Ponta da Vigia), inaugurado a 5 de Junho de 1922.
É uma zona distinta de todas as restantes da Madeira, pela extensão da sua planura e terreno pouco acidentado. Silenciosa e original, a freguesia mantém o encanto durante a totalidade do ano.

As festas religiosas principais e a Festa do Pêro, acrescentam-lhe novos pontos de interesse.


Freguesia dos Prazeres

Primitivamente ligada à freguesia do Estreito da Calheta, a freguesia dos Prazeres tornou-se independente juntamente com alguns casais da Fajã da Ovelha a 28 de Dezembro de 1676.
A sua designação provém de uma pequena ermida dedicada a Nossa Senhora dos Prazeres, ali edificada muito anteriormente à criação da paróquia.
Porque a beleza tem o condão benéfico de enaltecer os sentidos, o prazer da paisagem é aqui uma fácil conquista! A freguesia é, em si, um amplo miradouro de onde se avistam locais aparentemente distantes, em perfeita simbiose com o oceano, ponto de encontro único entre a terra e o mar.