FLORESTA LAURISSILVA

É na exuberância da paisagem que se encontra um dos maiores atrativos turísticos da ilha da Madeira. A sua luxuriante vegetação, cuja floresta indígena foi reconhecida pela UNESCO, em 1999, como Património Mundial Natural da Humanidade, certamente o irá fascinar.

Esta floresta remonta ao Período Terciário da Terra e, nas últimas glaciações, viu a sua existência reduzida à área geográfica da Macaronésia, ou seja, nos Arquipélagos da Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde.

Compõe-se de árvores como o til (Ocotea foetens), o loureiro (Laurus novo canariensis), o vinhático (Persea indica), o folhado (Clethra arbórea) e o pau branco (Picconia excelsa), bem como de musgos e muitos outros arbustos como as urzes (Erica scoparia ssp maderensis e Erica aborea), a uveira da serra (Vaccinium padifolium) e o azevinho (Ilex perado ssp perado). Entre as plantas herbáceas há a destacar as leitugas (Sonchus pinnatus), o piorno (Genista tenera), o goivo da serra (Erysimum bicolor), a ameixieira de espinho (Berberis maderensis) e a raríssima orquídea da serra (Dactylorhiza foliosa), única no Mundo.

Ao nível da avifauna destacam-se raras espécies como o pombo trocaz (Columba trocaz), espécie endémica exclusiva da Ilha da Madeira, a freira da Madeira (Pterodroma madeira), o francelho (Falco tinnunculus canariensis), o tentilhão (Fringila coelebs maderensis) e o bisbis (Regulus ignicapillus maderensis).
Sendo considerada uma relíquia viva, a quase totalidade da sua área de ocorrência está incluída no Parque Natural da Madeira com o estatuto máximo de Reserva Integral.

RESERVA DA BIOSFERA – SANTANA

O concelho de Santana, localizado no norte da ilha da Madeira, foi agraciado pela UNESCO, em junho de 2011, com a distinção de “Reserva da Biosfera”, um reconhecimento à riqueza de um ecossistema que procura conciliar a conservação da biodiversidade ao seu uso sustentável.

Esta reserva integra uma componente terrestre, correspondente a toda a superfície emersa do município e ainda uma componente marinha, apresentando uma grande diversidade de valores naturais e humanos, paisagísticos, ambientais e culturais singulares de interesse local, regional, nacional e internacional.

A diversidade natural manifesta-se por uma riqueza faunística e floral que incorpora um alto grau de endemismo e uma representação integral das unidades ecológicas mais relevantes da ilha da Madeira, desde os ecossistemas marinhos e costeiros até à vegetação de altitude, passando pela Floresta Laurissilva, Património Natural Mundial da UNESCO desde 1999.

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FAUNA

Na ilha da Madeira, podemos encontrar uma fauna extremamente rica, tanto em seres vertebrados como em invertebrados, nomeadamente espécies endémicas de moluscos terrestres e, de forma muito significativa, os insetos.

Na Laurissilva, a avifauna manifesta um reduzido número de espécies e uma elevada taxa de endemismos. Nas zonas mais interiores da floresta e em melhor estado de conservação são observadas, habitualmente, cerca de sete espécies de aves. Destaca-se obrigatoriamente o simbólico pombo-trocaz (Columba trocaz) que é considerado um dos exemplares mais antigos da avifauna da Macaronésia, que tem uma dieta seletiva e parcialmente dependente dos frutos de diversas espécies de árvores, com particular relevo para o til, sendo considerado o semeador das árvores da Laurissilva.

Outra espécie a realçar é o bis-bis (Regulus madeirenses), uma ave de pequeno porte, a mais pequena da avifauna madeirense, que se alimenta de insetos, o que seguramente lhe confere uma importância elevada ao nível do equilíbrio dos ecossistemas.

O tentilhão (Fringilla coleeis madeirensis), subespécie endémica da Ilha da Madeira apresenta um alto nível de adaptação ao habitat insular. Outras aves que ocorrem com alguma frequência são o melro-preto (Turdus medula cabrerae), o papinho (Erithacus rubecula rubecula), a lavandeira (Motacilla cinerea schmitzi), e as duas rapinas, a manta (buteo buteo harterti) e o francelho (Falco tinnunculus canadienses). Nas zonas mais altas da Laurissilva, onde as árvores de grande porte começam a dar lugar aos urzais, ocorre ainda a galinhola (Scolopax rusticola), muito discreta e que normalmente passa despercebida aos visitantes.

Em relação à fauna do Maciço Montanhoso, é obrigatório salientar a freira-da-madeira (Pterodroma madeira) que é uma das aves marinhas mais ameaçadas do mundo que ocorre exclusivamente na Ilha da Madeira, com o estatuto de conservação “Em Perigo”. Vive exclusivamente no mar, apenas vindo a terra durante a época de reprodução, entre fins de março e meados de outubro, altura em que podem ser ouvidas ao cair da noite quando regressam aos seus ninhos.

Quanto aos invertebrados terrestres, é a comunidade de artrópodes terrestres que apresenta a maior riqueza faunística, distribuída por uma grande variedade de grupos. É de salientar ainda o grupo dos Aracnídeos que ostenta uma presença bastante significativa ao nível das aranhas, dos ácaros e dos pseudoescorpiões, entre outros.

Os invertebrados são o grupo com maior interesse na Ponta de São Lourenço. Contemporaneamente, são conhecidas 35 espécies de moluscos terrestres, das quais 24 são endémicas. No Ilhéu do Desembarcadouro foram identificadas 14 espécies sendo 12 endémicas, e no Ilhéu do Farol 13 espécies, sendo 11 endémicas.

Ao nível da avifauna, nidificam neste local aves marinhas, tais como: a cagarra (Calonectris diomedea borealis), a alma-negra (Bulweria bulwerii), o roque-de-castro (Oceanodroma castro), e o garajau-comum (Sterna hirundo). No Ilhéu do Desembarcadouro nidifica uma das maiores colónias de gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis atlantis) da Região. Quanto às aves terrestres, encontram-se frequentemente o corre-caminhos (Anthus berthelotii madeirenses), o pintassilgo (Carduelis carduelis parva), o pardal-da-terra (Petronia petronia madeirenses) e o canário-da-terra (Serinus canaria canaria).

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FLORA

Na flora da Madeira a Floresta Laurissilva merece especial destaque. Esta é uma formação, de caraterísticas higrófilas, endémica da macaronésia, bem desenvolvida com áreas de conservação clímax, único Património Mundial Natural da UNESCO em Portugal, e onde estão presentes todos os estratos caraterísticos deste tipo de comunidade. Alguns estudos no âmbito da fitossociologia, reconhecem nesta formação florestal várias comunidades vegetais climácicas que se encontram relacionadas com os andares bioclimáticos. De uma grande diversidade florística é, sobretudo ao nível do estrato herbáceo, que pode ser encontrada a maior parte dos endemismos. Como exemplo, pode apontar-se a Goodyera macrophylla, orquídea endémica da Ilha da Madeira, conhecida por godiera-da-madeira.

A Laurissilva é caraterizada por árvores de grande porte, maioritariamente pertencentes à família das Lauráceas como o til (Ocotea foetens), o loureiro (Laurus novocanariensis), o vinhático (Persea indica) e o barbusano (Apollonias barbujana), para além de outras, como o pau branco (Picconia excelsa), o folhado (Clethra arbórea), o aderno (Heberdenia excelsa), o perado (Ilex perado) ou o cedro-da-madeira (Juniperus cedros). Por debaixo da copa das grandes árvores, abundam arbustos como a urze (Erica arbórea e Erica socaria), a uveira (Vaccinium padifolium), o piorno (Genista temera), o sanguinho (Rhamnus glandulosa), o mocano (Pittosporum coriaceum e Musschia wollastonii) encontrando-se ainda um estrato mais baixo, rico em fetos, musgos, líquenes, hepáticas e outras plantas de pequeno porte, com numerosos endemismos.

Na ilha da Madeira os briófitos estão amplamente distribuídos, ocorrendo desde o litoral marinho até às altas montanhas do interior. A localização geográfica da ilha, o clima atlântico moderado e a orografia, composta por vales profundos e escarpas abruptas, determinam a existência de uma importante diversidade de habitats, que permitem o desenvolvimento e a manutenção de uma elevada riqueza florística.

Outro espaço também importante a nível de flora é o Maciço Montanhoso. O coberto vegetal desta área, carateriza-se pela presença de várias plantas endémicas da Madeira, de que são exemplo a violeta-da-madeira (Viola paradoxa). Podemos ainda encontrar aqui a urze-rasteira (Erica madeirenses), a orquídea-da-serra (Dactylorhiza folhosa) e a antilídea-da-madeira (Anthyllis lemanniana). Todas estas plantas encontram-se perfeitamente adaptadas ao rigoroso clima desta área, onde pontificam as grandes amplitudes térmicas e os ventos intensos. Para além de contribuírem para a fixação do solo, combatendo a erosão, desempenham um papel muito importante na captação de água através da pluviosidade oculta.

A flora da Ponta de São Lourenço apresenta igual importância e conta, atualmente, com 157 plantas vasculares distintas, das quais 141 se encontram na península e 71 no Ilhéu do Desembarcadouro. Observam-se plantas como as barrilhas (Mesembryanthemum crystallinum, Mesembryanthemum nodiflorum e Suaeda vera), a Maçacota (Bassia tomentos), o funcho-marinho (Crithmum maritimum) e alguns endemismos, como o massaroco (Echium nervosum), a estreleira (Argyranthemum pinnatifidum succulentum) e o Goivo-da-rocha (Matthiola madeirenses). Com alguma raridade encontramos a rasteira (Frankenia laevis, a Silene vulgaris marítima, Silene behen, Astragalus solandri) e a vaqueira (Calendula madeirenses). No Ilhéu do Desembarcadouro existem extensas manchas de Trevina e vários endemismos macaronésicos e madeirenses, tais como: (Alpista Phalaris maderensis), (Beta patula) espécie exclusiva deste ilhéu, a almeirante (Crepis divaricata), diabelha (Plantago coronopus), couve-da-rocha (Crambe frutuosa e o Rumex (bucephalophorus canadienses).

FAUNA

A fauna presente na ilha do Porto Santo encontra-se, maioritariamente, nos ilhéus do Porto Santo, que constitui um local privilegiado para a nidificação das aves marinhas.

Relativamente às aves, é possível observar-se a cagarra (Calonectris diomedea), a alma-negra (Bulweria bulwerii), o roque-de-castro (Oceanodroma castro), o pintainho (Puffinus assimilis baroli), o garajau-comum (Sterna hirundo), a gaivota-de-patas-amarelas (Larus cachinnans atlantis), o corre-caminhos (Anthus berthelotii madeirensis), o andorinhão-da-serra (Apus unicolor), o canário-da-terra (serinus canaria canaria) e o pardal-da-terra (Petronia petronia madeirensis). Estão também presentes a lagartixa (Teira dugesii jogeri) e duas tarântulas endémicas do Porto Santo (Hogna biscoitoi e Hogna schmitzi).

Existe ainda uma fauna marinha rica e diversificada originada, em grande parte, pelo afundamento do navio Madeirense, um local singular e muito procurado para a prática de mergulho.

fauna porto santo


FLORA

Devido às suas condições climatéricas e geológicas, a flora presente na ilha do Porto Santo pode ser encontrada, sobretudo, nos seus ilhéus, que constituem um local favorecido para a conservação da flora macaronésica. Os ilhéus do Porto Santo são protegidos pelo PDM, pela Rede Natura 2000 e são também parte integrante do Parque Natural da Madeira, por serem locais rochosos, cobertos por arbustos e flora costeira da Macaronésia.

Pdemos encontrar aqui arbustos e pequenas árvores nas suas escarpas. O goivo-da-rocha (Matthiola madeirensis), a figueira-do-inferno (Euphorbia piscatoria), a trevina (Lotus glaucus), a barrilha (Mesembryanthemum crystallinum e Mesembryanthemum nodiflorum), o marmulano (Sideroxylon mirmulans) são espécies que merecem destaque.

A cabeleira-de-coquinho (Lotus loweanus) é uma espécie endémica do Porto Santo que apenas existe nos ilhéus da Cal, de Ferro e das Cenouras.

Consta que o ilhéu da Cal, antigamente, continha uma cobertura vegetal formada essencialmente por Zimbros e Marmulanos. Actualmente o marmulano (Sideroxylon mirmulans) já está quase extinto. Ainda assim representa o único elemento arbustivo-arbóreo endémico existente. Diz-se também que no ilhéu de Cima encontravam-se muitos Dragoeiros (Dracaena draco) e muitas Oliveiras (Olea maderensis).

É possível observar-se ainda uma grande diversidade de líquenes, com destaque para a urzela.

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Desertas

FAUNA

Nas Ilhas Desertas podemos encontrar várias espécies raras e endémicas, mas foi a necessidade urgente de preservar uma pequena colónia de foca-monge do Mediterrâneo, mais conhecida como lobo-marinho, que originou a proteção desta área.

A fauna marinha das Ilhas Desertas é semelhante à do resto do arquipélago, apresentando afinidades europeias e mediterrânicas, sobretudo ao nível dos peixes e crustáceos do litoral, como sejam as castanhetas (Chromis limbata e Abudefduf luridus), a (taínha Liza aurata), a boga (Boops boops), o sargo (Diplodus sp.), a garoupa (Serranus atricauda), o bodião (Sparisoma cretense), o peixe-cão (Bodianus scrofa), o peixe-verde (Thalassoma pavo), o caranguejo-cabra (Grapsus ascensionais), ou o cavaco (Scyllarides latis).

Podem ser observadas nas águas circundantes destas Ilhas várias espécies de tartarugas bem como de cetáceos.

As Ilhas Desertas constituem um importante centro de nidificação de aves marinhas, tais como a cagarra (Calonectris diomedea borealis), o roque-de-castro (Oceanodroma castro), a alma-negra (Bulweria bulwerii), e a freira-do-Bugio (Pterodroma deserta). Todas estas aves são espécies inerentemente vulneráveis, para as quais as Ilhas Desertas, representam um dos últimos refúgios a nível Mundial.

A Deserta Grande sustenta a maior colónia de alma-negra (Bulweria bulwerii) do Atlântico e, possivelmente, do Mundo. A freira-do-bugio (Pterodroma deserta) nidifica exclusivamente no Bugio. Assim, estas ilhas desempenham um papel crucial para a conservação destas espécies.

Quanto às aves residentes, que são aquelas que podem ser encontradas durante todo o ano, destacam-se o corre-caminhos (Anthus bertheloti madeirenses), subespécie endémica do Arquipélago da Madeira e o canário-da-terra (Serinus canaria canaria), subespécie endémica da Macaronésia. São observadas igualmente rapinas, a saber: o francelho (Falco tinnunculus canadienses), subespécie endémica da Macaronésia, a manta (Buteo buteo harterti) e a coruja-das-torres (Tyto alba schmitzi), subespécies endémicas do Arquipélago da Madeira.

Os Invertebrados são outro grupo de animais de grande interesse. No grupo dos artrópodes, salienta-se a tarântula-das-desertas (Hogna ingens), um endemismo destas Ilhas. Este aracnídeo apresenta uma área de distribuição muito restrita, habitando apenas o Vale da Castanheira, no extremo norte do topo da Deserta Grande.

O conhecimento da fauna malacológica destas Ilhas é ainda pouco aprofundado. No entanto, estudos recentes confirmam a presença de cerca de 50 espécies e subespécies de moluscos terrestres para as Ilhas Desertas, 44 dos quais endémicos e alguns deles exclusivos.

A lagartixa (Teira dugesii mauli) é o único réptil terrestre que habita estas ilhas, sendo uma subespécie endémica das Ilhas Desertas.

FLORA

A flora das Ilhas Desertas é variada, peculiar e rica em plantas específicas da Macaronésia, com exclusividades madeirenses.A flora vascular é constituída por cerca de 200 espécies indígenas e naturalizadas, das quais 30% são endemismos da Madeira e 10% são restritas à Macaronésia.A Deserta Grande é a ilha que contém maior diversidade de habitats e de plantas, sendo detentora de três endemismos exclusivos: Couve-da-rocha Sinapidendron sempervivifolium, Frullania sergiae e Musschia isambertoi.Os primeiros estudos sobre a vegetação das Ilhas Desertas remontam a Lowe (1868). Lowe define duas zonas de vegetação. A 1ª Zona, designada por marítima, vai desde o nível do mar até aos 360 m de altitude, nas três ilhas. Esta vegetação caracteriza-se pela presença de plantas indígenas, tais como a Cenoura-da-rocha Monizia edulis, o Goivo-da-rocha Matthiola maderensis e a vaqueira Calendula maderensis. A 2ª Zona, designada por montanhosa, vai desde os 300 m até aos 480 m de altitude, na Deserta Grande e Bugio, cuja vegetação se caracteriza pela presença de plantas indígenas, tais como, Lotus argyrodes, a estreleira Argyranthemum haematomma e Trifolium angustifolium. Aplicando a estas Ilhas o estudo das comunidades vegetais e do bioclima realizado para a Ilha da Madeira (Capelo et al, 2000), as Ilhas Desertas apresentam potencialmente duas comunidades florestais, o Zambujal (Olea maderensis-Maytenetum umbellatae) e a Laurissilva do Barbusano (Semele androgynae-Apollonietum barbujanae).

Lobo Marinho Desertas Madeira


Selvagens

FAUNA

A fauna vertebrada das Ilhas Selvagens é qualificada pelo largo domínio das aves marinhas nidificantes e pela ausência de mamíferos nativos.
Estas ilhas são um santuário de nidificação de aves marinhas, contendo condições peculiares e únicas em todo o Mundo. Da avifauna nidificante conhecem-se nove espécies, entre as quais: a cagarra (Calonectris diomedea borealis), o calcamar (Pelagodroma marina hypoleuca), a alma-negra (Bulweria bulwerii), o roque-de-castro (Oceanodroma castro) e o pintainho (Puffinus assimilis baroli).
Nesta área, a colónia de cagarras afigura-se como a maior densidade em todo o mundo. Porém, a ave mais numerosa destas ilhas é o calcamar.
As aves residentes que podem ser encontradas durante todo o ano nas Ilhas Selvagens são o corre-caminhos (Anthus bertheloti bertheloti), um passariforme cuja subespécie é a mesma que se encontra nas Ilhas Canárias mas não no Arquipélago da Madeira, e um pequeno número de casais de francelhos (Falco tinnunculus canadienses), uma rapina de pequeno porte cuja subespécie é endémica do Arquipélago da Madeira.
Podem ser observadas aqui outras aves que, ocasionalmente ou acidentalmente visitam as Ilhas Selvagens, sobretudo no outono e na primavera. São aves que se perdem das rotas migratórias e que encontram aqui, no meio do Atlântico, o sítio ideal para descansar e recuperar forças, para o prosseguir da viagem.
As espécies de vertebrados observáveis são a osga (Tarentola bischoffi) e a lagartixa (Teira dugesii selvagens), que surgem exclusivamente nas Ilhas Selvagens.
Nestas ilhas, também podemos encontrar um apreciável número de invertebrados endémicos, com um elevado número de insectos endémicos, sobretudo coleópteros e lepidópteros.
Nos gastrópodes terrestres temos atualmente oito espécies dadas para as Ilhas Selvagens, sendo uma endémica da Macaronésia, Ovatella aequalis e uma endémica das Ilhas Selvagens, Theba macandrewiana.
O meio marinho destas ilhas é caraterizado pelas suas águas límpidas, onde habita uma fauna abundante e diversificada.
Nas zonas rochosas são frequentes os gastrópodes, como sejam as litorinas, os caramujos, as cracas e as lapas. Encontram-se, igualmente com frequência, ouriços-do-mar, sendo a espécie dominante o ouriço-de-espinhos-compridos (Diadema antillarum). Junto com estes animais, coabitam várias espécies de esponjas, anémonas e estrelas-do-mar.
No que se refere aos peixes, observam-se, com frequência, a castanheta (Chromis limbata e Abudefduf luridus), taínha (Liza aurata), o boga (Boops boops), o sargo (Diplodus sp.), a garoupa (Serranus atricauda), o bodião (Sparisoma cretense), o peixe-cão (Bodianus scrofa), o peixe-verde (Thalassoma pavo).
Nas águas circundantes destas ilhas é possível observar várias espécies de tartarugas e de cetáceos.

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FLORA

O coberto vegetal das Ilhas Selvagens é composto por espécies perfeitamente adaptadas às condições edafoclimáticas. A cobertura florística terrestre compreende mais de uma centena de espécies de plantas vasculares e apresenta a percentagem mais elevada de endemismos por unidade de superfície de toda a Região da Macaronésia.

A vegetação da Selvagem Pequena e do Ilhéu de Fora é composta somente por espécies indígenas e endémicas, sem quaisquer introduções. Estas duas ilhas apresentam uma cobertura e um número surpreendente de espécies exclusivas.

A Selvagem Grande apresenta igualmente um coberto vegetal peculiar e uma interessante flora com endemismos da ilha, outros comuns às restantes Ilhas Selvagens e da Macaronésia, para além de ser o limite da distribuição de determinadas espécies no hemisfério sul ou no norte.

As Ilhas Selvagens possuem onze endemismos exclusivos, entre os quais podemos encontrar cila-da-madeira Autonoe madeirensis, estreleira Argyranthemum thalassophilum, Lobularia canariensis ssp. rosula–venti, Lotus salvagensis, Monanthes lowei e figueira-do-inferno Euphorbia anachoreta.

De modo a preservar este património natural, em 2001 iniciou-se um trabalho de erradicação de plantas invasoras, isto é, plantas que não fazem parte da flora indígena da área e que se alastram com muita facilidade, competindo e destruindo os habitats naturais das espécies indígenas. Exemplos de espécies que estão a ser monitorizadas e controladas são a tabaqueira Nicotiana glauca e mais recentemente, a Conyza bonariensis.

A flora marinha das Ilhas Selvagens apresenta semelhanças à dos arquipélagos vizinhos. A irregularidade dos fundos e a predominância de substratos rochosos, proporciona a colonização por algas fotófilas. Estudos indicam a presença de 173 espécies de macroalgas, com predominância para as algas vermelhas.

Reservas Naturais

Desertas natural reserve Madeira Islands

RESERVA NATURAL DAS ILHAS DESERTAS

As Ilhas Desertas estão situadas a cerca de 22 milhas a sudeste da cidade do Funchal.
Hoje em dia representam o último refúgio atlântico para a Foca Monge (Monachus monachus), a foca mais rara do Mundo.
A presença destes mamíferos marinhos foi a principal razão para a criação da área de proteção das Ilhas Desertas que, em 1992, foram classificadas como Reserva Biogenética, pelo Conselho da Europa.
Algumas das medidas impostas para a preservação da Reserva são a proibição total da atividade de pesca submarina, tal como a proibição da navegação na parte sul da mesma.
Para fundear qualquer embarcação ou visitar a Deserta Grande é necessário obter uma credencial dos Serviços do Parque Natural da Madeira.


selvagens nature reserve Madeira

RESERVA NATURAL DAS ILHAS SELVAGENS

As Selvagens são constituídas por dois grupos de pequenas ilhas, a Selvagem Grande e a Selvagem Pequena. Estão situadas a cerca de 180 milhas da Ilha da Madeira.
A Reserva Natural das Ilhas Selvagens foi criada em 1971, sendo uma das mais antigas reservas naturais de Portugal.
Na Selvagem Pequena e no Ilhéu de Fora nunca foram introduzidos herbívoros, pelo que, das noventa espécies que representam a herança floral das Selvagens, dez são endémicas.
Estas Ilhas são também consideradas como um “santuário ornitológico”, devido às condições que apresentam para a nidificação de aves marinhas.


Garajau Nature reserve

RESERVA NATURAL PARCIAL DO GARAJAU

Esta reserva, criada em 1986 e localizada na costa sul da ilha da Madeira, constitui uma fantástica reserva marinha.

Entre a fauna que nela se pode observar, contam-se alguns peixes de grande porte, como o Mero, (Epinephalus guaza) ou a Manta e a Jamanta (Manta birostris, Mobula mobular), cujo porte e graciosidade de movimentos fazem do local uma atração internacional, para além de uma grande variedade de outras espécies costeiras.
A passividade dos peixes, habituados a conviver com os mergulhadores, permite a liberdade de nadar entre eles, com excelentes oportunidades para a fotografia aquática.
Dentro da área de reserva é proibida qualquer actividade de pesca e a navegação está também condicionada.


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RESERVA NATURAL DA PONTA DE S. LOURENÇO

No extremo este da Ilha da Madeira encontra-se a Reserva Natural da Ponta de S. Lourenço, criada em 1982.
Esta reserva possui uma fauna e uma flora peculiares devido à presença de importantes grupos de endemismos locais virtualmente confinados à área, dispondo também de um posto de vigilância que presta apoio à Educação Ambiental.


Rocha do Navio Santana nature reserve

RESERVA NATURAL DA ROCHA DO NAVIO

Pertencente ao concelho de Santana, esta reserva foi criada no ano de 1997.
Estabelecida por sugestão da população local, inclui uma faixa de mar, habitat potencial da Foca Monge (Monachus monachus), mais conhecida por Lobo Marinho e um ilhéu onde é possível observar algumas plantas próprias das falésias naturais macaronésicas, mas raras no espaço insular.
O acesso ao espaço marinho é livre, mas a prática de caça submarina e o uso de redes encontram-se proibidos.
A Reserva Natural do Sítio da Rocha do Navio apresenta uma área total de 1710 hectares e um comprimento total de 6259 metros. É exclusivamente marinha e inclui o Ilhéu da Rocha das Vinhas e o Ilhéu da Viúva. Está integrada na Rede Natura 2000.
A Reserva está localizada no norte da Ilha da Madeira, no Concelho de Santana. O principal acesso faz-se através do Miradouro da Rocha do Navio por uma vereda escarpada na rocha ou por teleférico.
O nome Rocha do Navio provém do naufrágio de uma escuna de nacionalidade holandesa que ocorreu no século XIX.


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REDE DE ÁREAS MARINHAS PROTEGIDAS DO PORTO SANTO

A Rede de Áreas Marinhas Protegidas do Porto Santo é constituída pelas partes terrestres dos seis Ilhéus circundantes à Ilha do Porto Santo, nomeadamente: o das Cenouras, o de Baixo ou da Cal, o de Cima ou dos Dragoeiros, hoje também designado por Ilhéu do Farol, o de Fora ou da Rocha do Nordeste, o da Fonte ou da Fonte da Areia e o Ilhéu de Ferro, e pela parte marinha circundante ao Ilhéu da Cal e ao Ilhéu de Cima, incluindo a zona onde se encontra afundado o navio “O Madeirense”. Toda a parte terrestre, constituída pelos seis ilhéus, é assinalada como Zona Especial de Conservação, integrando a Rede Natura 2000.
Os Ilhéus, apesar de apresentarem uma aparência inóspita, possuem um Património Natural que urge conservar pelos seus valores científicos, naturais e paisagísticos importantes.
Apresentam uma vegetação de litoral com importantes vestígios de flora costeira da Macaronésia e são locais preferenciais para a nidificação da avifauna marinha.
Existe uma fauna marinha abundante e diversificada, tendo contribuído para tal o afundamento do navio “O Madeirense”, constituindo um local privilegiado para a prática do mergulho.

Vulcanismo

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O arquipélago da Madeira é um exemplo de vulcanismo intraplaca – hot-spot – em ambiente oceânico, resultante da atuação de duas plumas mantélicas, uma que originou o Porto Santo no Miocénico médio, há cerca de 14 Ma e, posteriormente, a Madeira e as Desertas no Miocénico superior, há cerca de 7 Ma; e outra que originou as ilhas Selvagens no Oligocénico, há cerca de 28 Ma.

A ilha da Madeira ergue-se acima de uma vasta planície submarina, no interior da placa africana, formando um maciço vulcânico com mais de 5,5 km de altura, do qual apenas 1/3 se encontra emerso.

A ilha evoluiu por sucessivas fases de intensa atividade vulcânica (fase inferior ≥7 Ma, fase intermédia de 7 a 1,8 Ma e fase superior <1,8 Ma), separadas por períodos de atividade muito atenuada ou de inatividade, durante os quais a erosão reduziu, por vezes consideravelmente, a dimensão do edifício vulcânico. Os processos erosivos foram promovidos predominantemente por incisão fluvial, pela abrasão marinha, com recuo da linha de costa e criação de arribas, e por processos gravíticos (deslizamentos e desmoronamentos) desencadeados pela criação de relevos íngremes pelos processos anteriores. Durante os períodos de erosão intensa, foram escavados vales e criados relevos acidentados que destruíram parcial ou totalmente as formas vulcânicas, enquanto, os produtos da erosão foram depositados nos flancos imersos do grande vulcão ou no interior de vales. O recomeço da atividade no decurso da época vulcânica seguinte levou à fossilização dos materiais sedimentares detríticos e dos relevos erosivos. A unidade vulcânica mais recente da estratigrafia da ilha da Madeira que ocorreu até há 6000-7000 anos, representa a fase de rejuvenescimento, caracterizando-se por vulcanismo implantado já sobre uma topografia erosiva talhada sobre as formas criadas durante o estádio anterior. Considera-se que a ilha da Madeira se encontra ainda neste estádio de evolução, encontrando-se a atividade vulcânica temporariamente adormecida. Apesar de reduzido, o risco de uma erupção vulcânica na Madeira não e nulo.